
Amigo Íntimo de Deus
Falar de sofrimento não é fácil. Quem nunca passou por uma dor, quer seja ela física ou emocional, chegando até a pensar que não iria suportar mais?
Várias foram e são as nossas experiências! Alguns já perderam um ente querido, outros perderam um emprego, ficaram doentes, alguns foram afrontados... Vários são os tipos de sofrimento capazes de “derrubar” um ser humano.
É interessante notarmos que a Bíblia traz o relato de um sofrimento que só perde para o sofrimento de Cristo. Este relato é o da vida de Jó – um árabe muito rico, não-judeu, morador da terra de Ur que era “íntegro, temente a Deus e que se desviava do mal” (Jó 1.1).
Jó amava o Senhor de uma maneira muito intensa, a ponto de não querer nem que seus filhos desagradassem a Deus. Após os banquetes oferecidos por seus sete filhos e três filhas em suas residências, ele entregaria holocaustos por eles, pois poderiam ter pecado contra Deus em seus corações (v. 5); Jó fazia isso continuamente, pois conhecia o Senhor. Se ele o conhecia é porque andava com ele, era amigo dele.
Ou seja, nós só conhecemos uma pessoa quando convivemos com ela, quando ai sim temos a oportunidade de entender seus gostos, suas opiniões, suas vontades. E quanto mais o tempo passa e a amizade cresce, mais íntimos ficamos do nosso amigo. Chegamos à sua casa, abrimos a geladeira, vestimos até a mesma roupa que ele veste. Contamos os nossos segredos, até os mais secretos! O amigo de verdade nos conhece mesmo quando estamos calados, sem dizer uma palavra sequer. Assim era o relacionamento de Jó com Deus.
Ele sabia o que desagradava e o que agradava ao Pai. Ele conhecia o Senhor intimamente. E Deus também era íntimo de Jó. No versículo 8, do capítulo 1, o Senhor pergunta ao Diabo: “Vês o meu servo Jó?”. Deus já sabia a resposta de Satanás. Sabia que o inimigo não teria nada de ruim para falar do seu amigo Jó. No decorrer da sua fala Deus afirma: “Não há ninguém na terra como ele, homem íntegro, reto e que se desvia do mal”. O próprio Deus afirma isso sobre Jó, pois o conhecia! Sabia o que se passava em seu coração. Eles tinham uma intimidade tão profunda que mesmo com o desafio lançado por Satanás – “estende a mão e toca-lhe em tudo que ele tem e verá se não blasfema de Ti na Tua face” (v.11) –, Deus não demorou a autorizar Satanás a tocar e destruir tudo que Jó possuía. Ele conhecia seu amigo verdadeiramente. Ele sabia que jamais Jó destruiria a linda intimidade que tinham por causa de qualquer “terremoto” que viesse para abalar a relação deles.
Esse foi o início da história de Jó, contudo sabemos também como o Diabo destruiu todos os seus bens, seu gado, matou seus filhos e, para piorar a situação, derramou sobre a vida de Jó uma enfermidade que alguns teóricos da Bíblia afirmam ser a Elefantíase (doença na qual o corpo da pessoa fica revestido de uma camada epitelial grossa, de coloração escura semelhante à do couro do elefante e que é muito dolorosa – Bíblia de Estudo Plenitude) que acabou deformando as feições de Jó, fazendo com que sua mulher, num ato de desespero, pedisse para que ele amaldiçoasse a Deus e morresse (2.9)!
Porém, mesmo com todo o sofrimento passado, descrito nos primeiros dois capítulos do livro, Jó pronuncia apenas duas coisas: “Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei. O Senhor me deu, o Senhor tirou; bendito seja o nome do Senhor.” (1.21.) “Se recebemos o bem de Deus porque não iríamos receber também o mal.” (2.10.) Somente alguém, conhecendo e amando muito outra pessoa, pode fazer uma declaração de amor e de confiança como essa! Jó amava a Deus. Acontecesse o que acontecesse, seu amor por ele jamais seria abalado. Sua amizade com Deus era muito grande. Jó sabia que tudo que estava acontecendo tinha uma razão, pois seu amigo íntimo – Deus – jamais o decepcionaria, jamais o prejudicaria, jamais teria prazer em vê-lo mal, ou destruído.
Qual tem sido nosso grau de intimidade com o Senhor Jesus?
Qual tem sido o nosso relacionamento com ele?
Temos sido apenas aquele amigo que o visita de vez em quando?
Somos aquele amigo de ocasião, que só o procura quando precisa de algum favor?
Ou será que somos aquele amigo de fachada, que se arruma todo para ir visitá-lo em sua casa?
Realmente Jó tinha muita intimidade com o Senhor. E não seriam problemas terrenos que o afastariam do seu grande amigo. É possível alguém amar outra pessoa sem querer nada em troca? Isso só acontece quando se tem um amor muito grande um pelo outro; quando se tem um profundo grau de intimidade com a outra pessoa. Jó provou que isso é possível. O amor é sofredor, é benigno, não quer nada em troca, diz 1 Coríntios 13.
Esta é a terceira vez que leio o livro de Jó. E como a Palavra sempre se renova, cada vez posso aprender mais do Senhor através dessa história. Eu ficava sem entender porque Fulano passava por tal luta, ou tal provação. Porque Cicrano que nem é tão temente assim (não é julgamento algum, pelo fruto se conhece a árvore) não passava por tantos problemas; tudo é mais fácil para ele! Mas Deus me fez pensar algo: se ele conhece cada coração, sabe o grau de intimidade que cada um tem com ele, então ele sabe como cada um vai reagir. Ele sabe com quem pode contar! Ele sabe em quem pode realmente confiar! Então, talvez para que Cicrano não fuja da sua presença, para que a sua amizade não seja destruída, determinadas provas não são dadas para que ele. O grau de sua intimidade com o Senhor é que vai determinar até onde sua luta pode ir, porque ele conhece cada coração. Não estou defendendo a doutrina da flagelação e sofrimento para ser amigo de Deus, como muitos fazem! Pelo Contrário. Não é mais preciso somente sofrer para entrar no Reino dos Céus! Somos mais que vencedores em Cristo Jesus! Mas ele não nos dá prova maior do que possamos suportar. É a Palavra que afirma isso!
Ele sabia até onde Jó poderia suportar, pois o conhecia. Jó sabia que seu amigo jamais o abandonaria, pois tinha intimidade com ele. E você? Está disposto a ser íntimo do seu amado? Então, seja bem-vindo! Ele está disposto a ser o seu melhor amigo. Ele lhe chama e diz: “Venha como você está”! E com certeza ele apontará para você e afirmará: “Vês ali o meu servo? Não há na terra ninguém semelhante a ele” (Jó 1.8). Imagina que alegria!
Texto Adaptado do Portal Lagoinha - Abr/2006