Principais Pontos:
Inicialmente podemos descrever que sendo a Igreja uma instituição da sociedade, a Igreja pode ser observada e estudada pelos métodos da ciência social. Contudo, numa visão (descrição) bíblica o termo Igreja, que deriva da palavra grega Ekklêsia refere-se simplesmente a uma assembléia dos cidadãos de uma localidade.
Sendo que, no Novo Testamento a palavra possui dois sentidos, que são:
1º) denota todos os crentes em Cristo em todas as épocas e lugares, conforme Mateus 16:18, num sentido universal;
2º) refere-se a um grupo de crentes em dada localidade geográfica (Ef.: 1:23,23; 4:4; 5:23).
Analisando a Igreja a partir sua unidade, observamos que este ideal é salientado na oração sacerdotal de Jesus (Jo 17:20-23), bem com o em Efésios 4:1 16, onde nesta dissertação, Paulo se reflete à igreja local de Jerusalém (At 4:32) e no apelo para que todos os crentes tenham um coração e uma mente (Fp.: 2:2).
Mas, infelizmente, o que observamos é que os crentes não têm buscado, perseguido essa unidade; que é a vontade declarada de Cristo para a Igreja.
Por isso, muitos cristãos entendem a unidade da Igreja de várias maneiras, entre estas podemos citar:
1 que esta reside no fato de que todos os crentes servirem e amarem ao mesmo Senhor;
2 que centra-se no reconhecimento e na comunhão mútua, dando ênfase ao fato de que, embora as congregações e denominações sejam separadas umas das outras, estas possuem a mesma fé e devem lutar para dar expressão observável a essa unidade, usando todos os crentes possíveis;
3 que embora mantenham a identidade individual, as denominações se juntam numa associação ou num conselho formal.
4 E em 4ª lugar, a unidade da igreja significa unidade orgânica; onde as congregações se unem numa grande denominação, juntando suas tradições.
Além disso, com relação as figuras bíblicas da igreja, podemos destacar que, essa pode ser vista como:
a - Povo de Deus: tal conceito destaca a iniciativa de Deus na escolha das pessoas. Assim, enquanto no A.T. ele não adotou para si uma nação existente, mas criou um povo para si; no Novo Testamento esse conceito é alargado passando a incluir tanto judeus como gentios na igreja (2 Ts 2:13,14; 1 Ts 1:4), implicando que Deus se orgulha deles; provê cuidado e proteção a seu povo; a mantém "como a menina dos olhos" (Dt 32:10); esperando por fim que seu povo seja para Ele, sem reservas e fidelidade total.
b - Corpo de Cristo: é uma figura que salienta a Igreja é o centro da atividade de Cristo. Ou seja, a imagem é usada tanto para a Igreja Universal (Ef.: 1:22,23), como para congregações locais (I Co 12:27); além de salientar a ligação da igreja, como um grupo de crentes, com Cristo; onde Ele é a base da fé e esperança.
Isso por sua vez, implica que:
C Templo do Espírito Santo:
sendo o responsável pelo surgimento da Igreja, faz com que algumas verdades sejam destacadas, como:
produz unidade no corpo, não uma uniformidade; mas um unanimidade em
propósito e em ação (At 2:32 `45);
cria uma sensibilidade à liderança do Senhor, pois Jesus havia
prometido continuar com os discípulos (Mt 28:30; Jo 14:18, 23; 16:7);
que uma vez habitando nos discípulos, traria-lhes à lembrança os
ensinamentos do Senhor (Jo 14:26) e que os guiaria a toda verdade (Jo 16:13);
que o Espírito Santo é o soberano da Igreja, pois é Ele que equipa
o corpo, dispensando os dons que, em alguns casos são pessoas para preencher vários
ofícios, e em outros, são habilidade especiais (I Cor 12:11);
E finalmente, torna a Igreja Santa e Pura (I Cor 6:19,20.
E por último, tudo o que foi visto, acaba implicando em alguns princípios, para com a Igreja, os quais são:
1 que esta não deve ser concebida primeiramente como um fenômeno sociológico, mas como uma instituição estabelecida por Deus;
2 que a igreja existe por causa de seu relacionamento com o Deus Triúno, cumprindo a vontade do Senhor no poder do Espírito Santo;
3 que é a continuação da presença e do ministério do Senhor no mundo;
4 que esta deve possuir comunhão de crentes regenerados que demonstram as qualidades espirituais de seu Senhor.
5 E que, embora
criação divina, a Igreja é composta de seres humanos imperfeitos, que só alcançará
perfeita santificação ou glorificação no retorno do Senhor.
Funções básicas:
Dentro das funções básicas da Igreja, podemos citar as seguintes:
| Evangelização: Pois, segundo o evangelho de Mateus 28:19 somos instruídos no seguinte: "Ide, portanto, fazei discípulos de todas nações"; bem como em Atos 1:8 que nos diz: "Mas recebereis poder ao descer sobre vós o Espírito Santo, e serei minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até os confins da terra." Ou seja, o chamado para a evangelização é uma ordem, para todo aquele que aceita a Jesus Cristo como Senhor e Salvador de sua vida; bem como uma evidência clara que guardamos os seus mandamentos (Jo 14:15). |
| Edificação: Constituindo a segunda função da Igreja, têm entre outras finalidades a edificação do corpo (Ef.: 4:12), que é dado pela comunhão (I Co.: 12:26); pela instrução e pelo ensino (Mt 28:20). Onde a visão é fazer com que todos os membros venham a se tornar aperfeiçoados, para a o desempenho do seu serviço. |
| Adoração: Outra função ou atividade da igreja é levar esta a adorar o Senhor. Embora a adoração venha colocar Deus em evidência, também deve beneficiar os adoradores. Além disso, é muito importante que a igreja mantenha alguma separação entre essas atividades, pois na adoração, os membros da igreja concentravam-se em Deus; na instrução e na comunhão, concentravam-se em si mesmos e nos companheiros cristãos e na evangelização, voltavam a atenção para os não-cristãos. |
Outra função muito importante para a Igreja, refere-se a preocupação social. Pois, se nos voltarmos para a vida de Jesus, descobriremos que esse se importava com os problemas dos necessitados e sofredores; curava doentes e por vezes até ressuscitou mortos.
Assim, a igreja deve mostrar interesse e atuar sempre que vê necessidades, sofrimentos ou erros. Obviamente, a igreja tem muito que fazer para melhorar seu desempenho nessa área.
Mas, é triste ver que algumas igrejas que minimizam a necessidade da regeneração alegam que os evangélicos não possuem participação suficiente na redução das necessidades humanas.
Sendo a base do Novo Testamento, originário do termo: evangelion, que denota boas notícias; constituí a tarefa básica que Jesus confiou aos seus discípulos (Mc 1:14,15; Isaías 6:1,2).
Além disso, o termo possui dois sentidos básicos: a proclamação ativa da mensagem e o conteúdo proclamado, ocorrendo em I Coríntios 9:14.
Outro ponto importante a ser destacado, refere-se ao fato de que os pontos essenciais do evangelho são: a posição de Jesus Cristo como o Filho de Deus, sua humanidade genuína, sua morte pelos nossos pecados, seu sepultamento, ressurreição, aparecimentos subseqüentes e vinda futura para julgamento. Mostrando-nos claramente que para Paulo, o evangelho é da maior importância, chegando a declarar que o evangelho é "o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego" (Rm 1:16). Além de que o também o evangelho dissipa todas as barreiras sociais, econômicas e educacionais (Rm 1:16; Gl 3:28), mas também transpõe os séculos do tempo.
3 - Formas de governo da igreja:
Episcopal: nessa forma de governo, a autoridade reside no bispo; existindo vários graus de episcopado, ou seja, há variações quanto ao número de níveis de bispos. O papel dos bispos é exercer o poder de Deus de que foram investidos. Assim, como representantes de Deus e pastores, governam um grupo de igrejas e cuidam dele, em vez de simplesmente cuidar de uma congregação local. Essa forma é encontrada de maneira mais simples na Igreja Metodista, que possuí um nível de bispos. Um pouco mais desenvolvida é a estrutura governamental da Igreja Anglicana ou Episcopal, enquanto a Igreja Católica Romana possui o sistema mais completa de hierarquia, com a autoridade investida especialmente no sumo pontífice, o bispo de Roma, o papa.
Presbiteriana: Aqui também o governo da igreja é colocado em determinado ofício, mas o ofício individual e o detentor do ofício destacam-se menos que uma série de grupos representativos que exercem tal autoridade. O oficial principal na estrutura presbiteriana é o presbítero, posição que remonta à sinagoga judaica. Esses presbíteros são encontrados na igreja do Novo Testamento (Atos 11:30). A autoridade dos presbíteros é exercida numa série de concílios, onde no âmbito da igreja local, o conselho (presbiteriana) ou o consistório (reformada) é o grupo responsável pelas decisões. Ou seja, toadas a s igrejas de uma área são governadas pelo presbitério (presbiteriana) ou classe (reformada). É importante destacar que o sistema presbiteriano difere do episcopal no fato de existir só um nível de clero, ou seja; só existe o presbítero docente (o pastor) ou o presbítero regente. Não existem níveis mais altos, como o de bispos.
Congregacional: nessa forma de governo é destacado o papel do cristão como indivíduo e tem a igreja local como centro de autoridade. Existem aqui dois conceitos básicos: autonomia e democracia. Onde por autonomia entendemos que a congregação é independente e governa a si mesma. São os indivíduos da congregação que possuem e exercem a autoridade. Dessa maneira, o princípio da democracia baseia-se no sacerdócio de todos os crentes que, segundo entendem, ficaria prejudicado, caso bispos ou presbíteros recebessem a prerrogativa de tomar as decisões. Entre as principais denominações que praticam essa forma de governo congregacional estão os grupos batistas, congregacionais e boa parte dos grupos luteranos.
Sem governo: Nos grupos onde predominam essa estrutura é destacado a atuação interna do Espírito Santo; ou seja, é Ele que exerce influência sobre os indivíduos crentes e os dirige de maneira direta, não por meio de organizações ou instituições.
Agora, voltando-nos para o hoje, vemos que desenvolver uma estrutura de governo que esteja de acordo com a autoridade da Bíblia encontram dificuldades em dois pontos. O primeiro é a falta de material didático. Não há exposição prescritiva sobre como deve ser o governo da igreja. O segundo problema, esta no fato de que há tantas variações das igrejas do Novo Testamento, que não conseguimos descobrir um padrão normativo. Precisamos, portanto, buscar os princípios que encontramos no Novo Testamento, tentando construir nosso sistema de governo de acordo com eles.
Para que essa estrutura seja implantada, alguns
princípios são necessários, especialmente o descrito em 1 Coríntios, que é o valor da
ordem. Ou seja, é necessário que certas pessoas sejam responsáveis por ministérios
específicos. Outro princípio é o sacerdócio de todos os crentes. Cada pessoa é capaz
de se relacionar diretamente com Deus. Finalmente, a idéia de que cada pessoa é
importante para todo o corpo está implícita em todo o Novo Testamento e explícita em
passagens como Romanos 12 e I Coríntios 12.
Praticamente todas as igrejas cristãs praticam o rito do batismo, em virtude de que Jesus, em sua comissão final, ordenou aos apóstolos e à igreja dizendo: "Ide... fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo" (Mt 28:19).
É importante também ressaltar que existem três questões básicas acerca do batismo as quais têm criado grande controvérsia entre os cristãos, que são: 1) Qual o significado do batismo? Qual seu verdadeiro efeito? (2) Quem são os receptores dignos do batismo? Deve ser restrito aos que são capazes de exercer fé consciente em Jesus Cristo ou também pode ser ministrado a crianças, mesmo recém-nascidas, e, nesse caso, sob quais condições? (3) Qual o método correto de batismo? Deve ser por imersão ou os outros métodos (efusão, aspersão) são aceitáveis?
Inicialmente, segundo os sacramentalistas, o batismo é meio pelo qual Deus distribui a graça salvadora, que resulta na remissão dos pecados; bem como une objetivamente o crente a Cristo de uma vez por todas (Rm 6:3-5). Assim, segundo entendem os luteranos, o sacramento não é eficaz, a menos que a fé já esteja presente. Sendo o batismo uma obra do Espírito Santo na iniciação das pessoas na igreja: "Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito" (I Co 12:13).
É importantes destacarmos que, de acordo com o luteranismo, os receptores do batismo dividem-se em dois grupos: 1a) que incluem os adultos que passaram a crer em Cristo (Atos 2:41 e 8:36-38); e 2ª) As crianças ou mesmo os recém-nascidos que também eram batizados nos tempos do Novo Testamento (Mc 10:13-16); abrindo precedentes para a prática hoje.
Outro enfoque dado ao batismo, diz respeito ao fato de que, tanto teólogos reformados como presbiterianos tradicionais, acreditam ser o ato batismal um sinal e selo da concretização divina da aliança estabelecida com a raça humana, pois; como ocorria a circuncisão no Antigo Testamento, o batismo nos dá a certeza das promessas de Deus.
Com relação aos benefícios, para os adultos são absolutos; enquanto que a salvação dos recém-nascidos é condicionada pela persistência futura nos votos feitos.
Podemos destacar também que: 1º Aqueles que entendem o batismo como um sinal e selo da aliança, alegam que isso não legítima que imponha às crianças o que se requer de adultos. 2º Os que defendem essa concepção salientam que o que de fato importa não é a reação subjetiva da pessoa, mas a iniciação objetiva na aliança com sua promessa de salvação.
E numa terceira concepção quanto ao batismo, refere-se ao fato de olharmos para ele como um prova, um símbolo ou indicação externa da mudança interna que ocorreu no crente. Assim, o ato não produz nenhuma mudança espiritual na pessoa que o recebe; mas continuamos praticando simplesmente porque Cristo ordenou e porque serve com um forma de proclamação da nossa salvação.
Dentro dessa concepção, devem ser batizados todos aqueles que preencham as condições para a salvação (arrependimento e fé ativa). Dessa forma, podemos verificar primeiramente que, no Novo Testamento as únicas pessoas batizadas especificamente identificadas pelo nome eram as adultas no momento do batismo; ficando bem claro também, que a fé pessoal e consciente em Cristo era e é um pré-requisito para o batismo (Atos 8:12; 18:8 e 19:1-7).
Deixando de lado as concepções acima, verificamos que:
1a) na segunda parte do versículo de Marcos 16:16 diz-nos que "quem, porém, não crer será condenado", ou seja, a falta de fé, não do batismo, que se correlaciona com a condenação. Já João 3:5 fica claro que é necessário que venhamos a nascer do Espírito; e em I Pedro 3:21 há uma negação do rito do batismo quanto a salvação, ou seja, a salvação de uma pessoa apenas acontece, pelo fato desta ter um compromisso diante de Deus, Ter fé, reconhecendo que dependemos dele. E em Tito 3:5; verificamos que "o lavar regenerador" refere-se à purificação e ao perdão dos pecados.
Verificamos assim que, quanto ao significado do batismo, o seguinte:
a) que há uma estreita ligação entre o batismo e nossa união com Cristo em sua
morte e ressurreição (Rm 6:1-11); b) que o batismo está diretamente ligado com a
fé, coincidindo com a primeira; c) é uma proclamação poderosa da verdade do que
Cristo fez; sendo mais um símbolo do que um mero sinal, pois um quadro vivo da verdade
que transmite.
2o) Quanto aos receptores do batismo, verificamos que
o batismo esta restrito aos que confessaram crer na obra expiatória de Cristo.
3o) Referente ao modos em que o batismo deve ser
realizado, analisando a origem da palavra grega baptizõ, que é
"mergulhara ou imergir na água", chegamos a conclusão que esse ato deve ser
feito por imersão (Rm 6:3-5). Mas, qualquer que seja o método empregado, é de
grande importância estarmos atentos ao fato de que o batismo é um sinal da união do
crente com Cristo, onde o cristão confissão essa união.
Já com relação a ceia do Senhor existem várias interpretações,
entre as quais citamos:
Concepção católica: dentro dessa verifica-se vários princípios, entre os quais citamos: a) a transubstanciação, que é a doutrina em que, quando o sacerdote oficiante consagra os elementos, ocorre um verdadeira mudança metafísica. As substâncias do pão e do vinho transformam-se respectivamente na carne e no sangue de Cristo; b) que a ceia do Senhor abrange um ato sacrificial; c) existe a idéia de que a ceia somente pode ser realizada se um sacerdote devidamente ordenado estiver presente para consagrar a hóstia.
Concepção Luterana: diferente da anterior em alguns princípios, entre os quais o fato de Lutero negar a transubstanciação. Para ele as moléculas não são transformadas em carne e sangue, mas o corpo e o sangue de Cristo estão presentes "em, com e sob" o pão e o vinho. Não que o pão e o vinho venham a se tornar corpo e sangue de Cristo, mas que agora temos o corpo e sangue, além do pão e do vinho. Lutero também rejeitava a idéia de que a missa é um sacrifício, um vez que Cristo morreu e expiou o pecado de uma vez por todas, sendo o crente justificado pela fé. Assim, a presença do corpo e do sangue de Cristo não é uma conseqüência dos atos do sacerdote, mas do poder de Jesus Cristo. E com relação aos sacramentos, Lutero insiste que, pela participação no sacramento, a pessoa recebe benefício real, ou seja, perdão dos pecados e confirmação da fé. Não pelos elementos do sacramento, mas à recepção da Palavra pela fé.
Concepção reformada: essa refere-se a questão da ceia do Senhor, elaborada por Calvino, sustenta que Cristo está presente na ceia do Senhor, mas não em forma física ou corpórea. Antes, sua presença no sacramento é espiritual ou dinâmica. Pois, de acordo com Romanos 8:9-21, é pelo Espírito e apenas por Ele que Cristo habita em nós. Dessa forma, a noção de que realmente comemos o corpo de Cristo e bebemos seu sangue é absurda. Em vez disso, os verdadeiros comungantes são espiritualmente nutridos quando o Espírito Santo lhes dá uma relação mais estreita com a pessoa de Cristo. Agora, com relação ao elementos dos sacramentos significarem o corpo e sangue de Cristo, esses fazem mais que isso. Servem para selar o amor de Cristo para os crentes, dando-lhes a certeza de que todas as promessas da aliança e as riquezas do evangelho são deles por doação divina. Ou seja, em troca de um direito pessoal e de uma verdadeira posse de toda essa riqueza, os crentes expressam fé em Cristo como Salvador e prestam obediência a ele como Senhor e Rei.
Concepção Zwingliana: referindo-se a fato de que a ceia do Senhor é apenas uma comemoração. Assim, a ceia é em essência, uma comemoração da morte de Cristo, onde valor do sacramento está simplesmente em receber pela fé os benefícios da morte de Cristo; e o efeito não é diferente em natureza, digamos, do efeito de um sermão. Ambos são modalidades de proclamação.
Lidando com as questões:
Primeiramente: se tomarmos "Isto é o meu corpo" e "Isto é o meu sangue" literalmente, teremos um problema
Em segundo lugar: há dificuldades conceituais para os que
declaram que Cristo está corporalmente presente nas ocorrências subseqüentes da ceia do
Senhor
Em resposta as questões acima, quando Jesus falou "Isto é o meu corpo", ele
estava chamando a atenção para seu relacionamento individual com cada crente. Pois, em
muitas outras ocasiões, Jesus fez uso de metáforas para se caracterizar.
Com relação à presença de Cristo, é importante lembrarmos que Jesus prometeu estar com os discípulos em todos os lugares e em todos os tempos (Mt 28:20; Jo 14:23; 15:4-7); especialmente quando nos reunimos como crentes (Mt 18:20). Assim, a ceia do Senhor como um ato de adoração, é, portanto, uma oportunidade especialmente propícia para encontrá-lo.
E por em último lugar, a ceia do Senhor deve ser entendida como um momento de relacionamento e comunhão com Cristo. Conseqüentemente, devemos chegar a cada observância dela confiando, que ali vamos nos encontrar com ele, pois ele prometeu encontrar-se conosco. Devemos pensar no sacramento não tanto como um presença de Cristo, mas como uma promessa e potencial de um relacionamento mais íntimo com ele.
Com relação a eficácia do rito, vemos que o efeito da ceia do Senhor deve depender da (ou ser proporcional à) fé demonstrada pela pessoa e de sua reação ao que se apresenta no rito. Uma compreensão correta do significado da ceia do Senhor e uma resposta apropriada de fé são necessárias para que o rito seja eficaz.
Além disso, o rito simboliza: nossa dependência do Senhor e nossa ligação vital com ele; aponta para sua segunda vinda e simboliza a unidade dos crentes dentro da igreja e o amor e interesse que têm uns pelos outros.; refletindo o fato de que o corpo é um corpo.
Quanto ao ministrador da ceia, vemos que tanto nos evangelhos, como na discussão de Paulo, a ceia do Senhor foi confiada à igreja e, e pelo que se presume, deve ser ministrada por ele; entendendo-se portanto, ser justo que as pessoas escolhidas e empossadas pela igreja para supervisionar e dirigir seus cultos de louvor também supervisionem a ceia do Senhor.
Já os receptores desse rito devem crer genuinamente em Cristo; sendo que não se pode fazer qualquer restrição rígida quanto à idade, ou seja, o comungante deve ser maduro o suficiente para ser capaz de discernir o corpo (I Co 11:29).
Agora, com relação ao elementos, vemos que a unidade do pão simbolizaria a unidade da igreja; o partir do pão o corpo de Cristo sendo rasgado e o suco de uva seria suficiente para representar o sangue de Cristo.
E quanto a freqüência do rito, essa deve ser observada de maneira a se evitar intervalos longos entre os períodos de reflexão sobre as verdades transmitidas por ela, mas não com tanta freqüência que a torne tão trivial ou comum que nos submetamos aos processo sem de fato pensar no seu significado. Assim, talvez seja bom a igreja oferecer a ceia do Senhor amiúde, permitindo que cada crente determine a freqüência com que participará dela.
Pois, a ceia Senhor, ministrada de modo adequado, é um canal para
inspirar a fé e o amor do crente, à medida que ele volta a refletir sobre a maravilha da
morte do Senhor e sobre o fato de que os crêem nele terão a vida eterna.
Bibliografia:
Teologia Sistemática
Erickson / Pág.: 437 à 475